31 de jan de 2014

nem todas as histórias são de amor

Dona Rita veio aqui e me contou queNem todas as historias são de amor
Tem também a história daquela senhora que nunca sai de casa esperando o marido voltar e ele nunca vem.

Tem t​am​b​é​m o caso do menino que nunca viu a m​ã​e, nem o pai e que nunca precisou de ninguém para ensinar a ele o que significa abandono.
Tem ainda a história d​e​  seu João que  eu conheci hoje no metrô, que perdeu no mesmo dia o emprego e o sorriso dos seus filhos.
Triste mesmo é o que me conta o seu João sobre sua infância e como veio parar em São Paulo. Ele odiava a Bahia, ele também odeia a cidade aqui e diz que não existe nenhum lugar mais pra onde ele queira se ilud-ir. É triste.




​Mas contei pra Dona Rita a história de Bianca que ontem chorou porque abriu a porta e mandou o amor ir embora e ele foi. E hoje ele voltou com flores.​
E Dona Rita sorriu.

20 de jan de 2014

Duo

Só nós transitamos pelo corredor. Dois reconhecendo a força das paredes, testando a confiança das portas. Abruptamente. Duas meadas sombras de dois pares de pés descalços frêmitos e quentes. Eu não sei se a noite é voraz ou se é a minha pele que arde e come a brisa que passeia. Uma porta é aberta, a luz passa querendo descobrir nossas vergonhas. Pares de sapatos atrás da porta, dois travesseiros, duas taças. Um clique, um estrondo. Uma pausa, uma artéria. Um impulso, um expulso. Pares de coisas que só vemos no escuro. Passam as horas velozes a desafiarem os dois ponteiros do relógio. Os minutos e os segundos. Não há horas. O tempo pára na entrega. Um pause no tempo que passa, no tempo que fica e não volta. A cena, se vista de fora, nenhum artista teria coragem de retratar. Desenhistas perderiam a linha. Fotógrafos se esconderiam atrás do obturador. Pintores misturariam tantas cores que só o abstrato ininteligível ficaria à mostra. Só nós transitamos entre o vão do quarto onde os quadros inacabados estão entulhados. Durmo entre as partes de sonho e consciência, sem saber que durmo e não sonho e sonho e não durmo. Alterno. O corredor se alonga. Os segundos se exasperam, dificultam. Maldito corredor que não pára de se espreguiçar. O despertador chega pontualmente e te leva embora. Visto-me, apago a luz, fecho a porta e vou embora. Dois dias depois, não mais, tudo morre no tempo e no esquecimento, concluo.

6 de jan de 2014

amor breve

Todas as músicas da tua playlist me agradam. Teu sorriso me agrada. Não lembro se te falei, mas aquele livro que você indicou é fantástico. E lembra o Rio, pra onde fomos poucas vezes e temos vontade de nunca mais voltar? Pois é, sinto o mesmo. Você não acredita em nada e eu acredito em tudo. Ainda bem que ETs existem e podemos concordar nisso também. Não nascemos um para o outro, tenho certeza. Mas termos nos apaixonados em pleno século onde pedimos para que haja mais amor, não pode ser coincidência. Sabia que tomei banho de mar lembrando de você? Quando você vai voltar a surfar? Ah, eu quero provar da caipirinha que você faz com maestria, mesmo que seja só nos raros dias quentes. Aqui também está frio, mas é a estação da ausência. Dura poucos dias no verão, não se preocupe. Quando você voltar, prometo o passeio de bike no parque e o açaí com gosto de beijo. Vai ser feliz de novo. Até breve!