17 de mar de 2014

dele

"tu, certamente, é a mulher mais bonita que eu conheço. não consigo imaginar visão mais perfeita do que tu de manhã, saindo do quarto só com a minha camisa do Ramones e perguntando se tem café. eu, que fico mudo diante de você, da pergunta, e da luz que está entrando pela fresta da janela, levanto a xícara, e apenas com um gesto te convido pra sentar do meu lado. e tu, mulher mais bonita que eu conheço, sentando desleixada na cadeira, segurando meu braço com uma mão e a xícara vermelha na outra, ainda sem querer muita conversa, apenas com um sorriso no canto de rosto, não pode imaginar a alegria que eu, contidamente, sinto em te ter aqui hoje e adorando os fins de semana juntos. eu acabei de te escrever um poema e ainda não decidi se vou te mostrar, mas agora, olhando pra você com o os olhos perdidos diante dos livros da estante na sala, sem saber o que estás pensando e apenas apreciando a tua distração, vou precisar reescrever te contando da minha paixão."

10 de mar de 2014

amor não é nada disso.

"Eu achava que, por amá-la, eu deveria derreter-me em versos, comprar flores e enfeites, cuidar para que ela ficasse bem, fazer declarações de amor, dizer coisas bonitas . E depois que ela me garantisse que eu seria o único por quem ela suspiraria, eu poderia ficar sossegado de ter conquistado a moça mais encantadora que já conheci. Mas ela me disse que amor não é nada disso. O amor não tem esse enredo medíocre de novela de época. E ainda teve a ousadia de dizer que o futuro é incerto, que nada podia garantir e eu aqui pensando que meu amor era eterno. Mas aí ela diz que me ama e eu não consigo desacreditar. Mas eu quero segurança, companhia, compromisso. E eu nem sei porque quero isso, mas é o que todos querem. Ah, amor não é nada disso e do que se trata, então? Eu faço umas perguntas que a deixam calada e aborrecida. Ainda bem que ela ainda aceita andar de mãos dadas comigo, e adora olhar as estrelas deitado na varanda e por essa noite basta. Mas  eu ainda desconfio que o amor também não é nada disso."
Luana lia livros escondida porque a sua mãe achava que ela não deveria, sendo tão novinha, ler aqueles romances, cheios de sensualidade, impróprios para a sua idade. A mãe achava que, enquanto criança, melhor seria se conhecesse os contos de fada, mas Luana nunca tinha tido ninguém que lêsse para ela e, de certa forma, agradecia por isso. Preferia os romances.

Seu maior prazer era ler deitada na rede que ficava na varanda do apartamento. Décimo andar, primeiro capítulo. Tinha das 13 até as 18 horas para viajar nas histórias, porque depois dessa hora, seus pais chegavam, a enchiam de perguntas, jantavam e liam jornal, que Luana, aos 8 anos, ignorava. Preferia os romances.

Depois do jantar e das tarefas da escola rapidamente feitas, ela ia pro quarto, dizia que ia assistir desenho. Lá, no seu quarto branco e lilás, decorado com motivos infantis e algumas bonecas, ligava a TV, trancava a porta e tirava da mochila um livro intitulado Deserto. Luana nunca conheceu um deserto, morava a dez minutos da praia, mas comprou o livro com a mesada, pensando que talvez fosse instigante uma nova história num cenário que ela ainda não conhecia.

Luana sentia-se esquisita quando torcia pelos personagens, quando chorava com eles, quando desejava tirá-los de cena, quando sentia o seu coração apertado frente a uma expectativa minuciosamente descrita, tão bem escrita pelo autor. Talvez fosse bom se ela tivesse lido alguns contos de fada, alguns contos, mas ela não saberia se sentiria com esses gêneros tamanha emoção na mistura de sentimentos e de acompanhar a vida das pessoas que desvendava a cada passar de página, por isso, desconhecendo outra literatura, preferia romances.

E quando não entendia alguma palavra, não ia atrás dos dicionários, procurava compreender dentro do contexto. Mesmo assim, ficava inquieta com elas. Não poucas vezes Luana era repreendida por usar palavras impróprias em situações ainda mais impróprias. Aí ela aprendeu que as palavras nem sempre tinham o mesmo significado. Lascívia, por exemplo, jamais poderia ser dito numa conversa com os seus pais que, arregalavam os olhos estupefatos. Mas ela adorava aquela palavra, achava que soava bem... e não entendia porque, um romance pode ter livremente essa palavra e nele cabe tão bem, enquanto seus pais a engoliam seco. Concluia que seus pais deviam ler menos jornais, talvez ela pudesse ler para eles, antes de dormir algum trecho do seu novo livro, Deserto. Literatura instigante igual aquela não havia. Por esses motivos, não podia dar preferência a outro gênero literário que não fossem romances.

pra você não dizer que não avisei

Aline,

você está prestes a fazer uma coisa muito errada, que vai dar uma dor de cabeça muito grande.
Fique ciente, não se mexe com essas coisas do coração. Isso é coisa séria, ou permite-se para mergulhar ou mantenha a distância.

Pra você não dizer que não avisei.


copiado

besta
:$


pq tu fez isso, véi?
oxe. eu tenho vergonha
e eu nem terminei o texto

auhauhauhauahauhauhauahuahuahauhauhauhauhauhauhauahuah
eu declamo novamente
quando tiver terminado
tiveres*
eu quero te declamar

ahahah
<3

mas tá aí um texto que sei nunca ser capaz de alcançar a profundidade dos sentimentos
porque d'esse texto não se conhece o autor, nem o que influenciou, nem de onde veio
só se conhece o título e a capa

tem que se dispor a ler, então.

tem que se dispor a entender... porque a leitura é fluida, envolvente, cativante
mas misteriosa e complicada que chega a dar nó na cabeça da gente
e faz o coração reclamar, brabo, porque não chegou ainda no final da estória

mas sempre haverá trechos vagos, confusos e que só serão entendidos no decorrer, ou talvez no final

pois é... mas se a gente faz que nem o coração quer, perde a riqueza dos detalhes das partes fáceis e singelas... e se se dispõe a querer entender tudo, nunca vai além de algumas páginas

agora pode copiar essa nossa conversa e colocar num texto, pq tá ficando bonito de ler e eu quero recordar depois

eu sempre vou te repetir isso
tu pode fazer o que quiser, sua linda!

: )

onde tu vai escrever? pr'eu ler depois?
ler/continuar a conversa? XD

eu pedi pra tu copiar, bocó

ah, foi?
achei que tu ia copiar
^^

eu queria... tudo

eu queria. mas meu desejo, bem como outros sentimentos que moram na mesma rua, se alimenta apenas de reciprocidade. é uma dieta restrita, por isso ele aguenta algum tempo e aguarda. mesmo faminto, ainda se mantém bem vivo. mas quando está no fim das energias, aquieta-se e morre. hoje a casa do desejo ficou vazia, mudou-se pra lá a saudade, essa se alimenta de tudo.

6 de mar de 2014

não sinto, insisto.

Não senti falta dessa perturbadora necessidade de te escrever uma nova carta de amor. Mas escrevo para pedir que, por favor, pare de aparecer nos semblantes e nos sorrisos de outras pessoas que vejo na rua. Pare de ser lembrado num gesto ou num jeito. Pare de retornar e confundir a  minha oculta e discreta saudade. Por favor, mantenha-se apenas inexistente ou inconsciente, bem colocado nas minhas poesias do passado, na recordação da falta que já não sinto, nos sentimentos que deixei pra trás quando parti, nas fotografias que nunca olho. Acredite, não estou sentindo falta da vulnerabilidade que me acompanhava, nem do frio na barriga, nem das gargalhadas entre nós, nem da tua companhia, nem da tua sentida ausência. Não sinto, insisto.

31 de jan de 2014

nem todas as histórias são de amor

Dona Rita veio aqui e me contou queNem todas as historias são de amor
Tem também a história daquela senhora que nunca sai de casa esperando o marido voltar e ele nunca vem.

Tem t​am​b​é​m o caso do menino que nunca viu a m​ã​e, nem o pai e que nunca precisou de ninguém para ensinar a ele o que significa abandono.
Tem ainda a história d​e​  seu João que  eu conheci hoje no metrô, que perdeu no mesmo dia o emprego e o sorriso dos seus filhos.
Triste mesmo é o que me conta o seu João sobre sua infância e como veio parar em São Paulo. Ele odiava a Bahia, ele também odeia a cidade aqui e diz que não existe nenhum lugar mais pra onde ele queira se ilud-ir. É triste.




​Mas contei pra Dona Rita a história de Bianca que ontem chorou porque abriu a porta e mandou o amor ir embora e ele foi. E hoje ele voltou com flores.​
E Dona Rita sorriu.

20 de jan de 2014

Duo

Só nós transitamos pelo corredor. Dois reconhecendo a força das paredes, testando a confiança das portas. Abruptamente. Duas meadas sombras de dois pares de pés descalços frêmitos e quentes. Eu não sei se a noite é voraz ou se é a minha pele que arde e come a brisa que passeia. Uma porta é aberta, a luz passa querendo descobrir nossas vergonhas. Pares de sapatos atrás da porta, dois travesseiros, duas taças. Um clique, um estrondo. Uma pausa, uma artéria. Um impulso, um expulso. Pares de coisas que só vemos no escuro. Passam as horas velozes a desafiarem os dois ponteiros do relógio. Os minutos e os segundos. Não há horas. O tempo pára na entrega. Um pause no tempo que passa, no tempo que fica e não volta. A cena, se vista de fora, nenhum artista teria coragem de retratar. Desenhistas perderiam a linha. Fotógrafos se esconderiam atrás do obturador. Pintores misturariam tantas cores que só o abstrato ininteligível ficaria à mostra. Só nós transitamos entre o vão do quarto onde os quadros inacabados estão entulhados. Durmo entre as partes de sonho e consciência, sem saber que durmo e não sonho e sonho e não durmo. Alterno. O corredor se alonga. Os segundos se exasperam, dificultam. Maldito corredor que não pára de se espreguiçar. O despertador chega pontualmente e te leva embora. Visto-me, apago a luz, fecho a porta e vou embora. Dois dias depois, não mais, tudo morre no tempo e no esquecimento, concluo.

6 de jan de 2014

amor breve

Todas as músicas da tua playlist me agradam. Teu sorriso me agrada. Não lembro se te falei, mas aquele livro que você indicou é fantástico. E lembra o Rio, pra onde fomos poucas vezes e temos vontade de nunca mais voltar? Pois é, sinto o mesmo. Você não acredita em nada e eu acredito em tudo. Ainda bem que ETs existem e podemos concordar nisso também. Não nascemos um para o outro, tenho certeza. Mas termos nos apaixonados em pleno século onde pedimos para que haja mais amor, não pode ser coincidência. Sabia que tomei banho de mar lembrando de você? Quando você vai voltar a surfar? Ah, eu quero provar da caipirinha que você faz com maestria, mesmo que seja só nos raros dias quentes. Aqui também está frio, mas é a estação da ausência. Dura poucos dias no verão, não se preocupe. Quando você voltar, prometo o passeio de bike no parque e o açaí com gosto de beijo. Vai ser feliz de novo. Até breve!

3 de nov de 2013

nós dois



Você admira minha liberdade e eu admiro a sua capacidade de se apaixonar de novo. Eu deixarei você ir e partirei pra outro caminho porque é assim que tem que ser. Nós amaremos outras pessoas, nos dedicaremos a elas e nossa história será uma história que teve amor e ainda tem. E essa não é mais uma carta de despedida porque eu jamais irei embora, assim como você jamais irá por completo. Quando dissemos um ao outro eu te amo e sempre amarei, logo hoje, sem nenhuma necessidade de que isso seja dito é porque é verdade ou porque queremos que seja. Que seja! Mesmo que não sejamos nunca mais um casal que todos falam que combinam perfeitamente, mesmo que não tenhamos daqui pra frente os mesmos planos, nós combinamos perfeitamente nisto: sabemos que tivemos sorte em nossos caminhos terem se cruzado, sabemos que não durou pouco, sabemos que terminou no pico, sabemos que tudo muda. Sabemos que há mais amores pra viver do que sonha a vã filosofia dos outros. Sabemos de nós dois.

21 de ago de 2013

"Um dia escrevi que tudo é autobiografia; que a vida de cada um de nós estamos contando enquanto fazemos e dizemos; nos gestos, na maneira como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto no chão. Queria eu dizer, então, que vivendo rodeado de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais. Seja como for, que os leitores se tranquilizem: este Narciso que hoje se contempla na água, desfará, amanhã, com sua própria mão, a imagem que o contempla". - José Saramago

9 de jul de 2013

chão do futuro

no futuro, a gente vai rir disso tudo. você vai me perguntar "lembra de como você ficou puta quando eu fiz isso?" e eu vou lembrar só do fato, mas nem vou lembrar do sentimento de fora de si que você me deixa. porque, olhando a nossa história inteira, comparar com uma montanha russa não é só clichê, é também a melhor analogia que se pode fazer. eu lembrarei pouco do medo, lembrarei pouco da euforia, lembrarei da vista lá de cima vagamente e da ansiedade para subir novamente só por alto. o sentimento mais duradouro dessa história toda que se repete, repete e repete é que, no futuro, quando a gente rir disso tudo, o coração batendo forte e a tua mão segurando a minha é o que há de mais gostoso durante o pés no chão.

1 de mai de 2013

de

hoje
a gente
não
se arrepende

29 de abr de 2013

domingo

hoje ele me fez companhia. chegou apenas para dizer que era um domingo bonito demais para ficar sozinho. e entrou devagar, com passos firmes e sem olhar para a casa. subiu as escadas segurando a minha mão, ficou olhando pela janela e fazendo perguntas. como se não bastasse ser agradável só por estar aqui, começou a me contar que tem espaço de sobra em lugares como o meu quarto, em são paulo e no seu coração.

18 de abr de 2013

quarta-feira


Hoje trabalharei até mais tarde porque todas as vezes que você passa por mim, todos os meus dedos ficam fracos e por isso não consigo digitar uma só palavra. Por alguns segundos ou minutos, depende do tempo que você involuntariamente se dedica a me distrair, minha produtividade cai junto com o meu interessem em fazer qualquer coisa que não seja olhar pra você. E quando você vai embora, meu coração volta a bater normalmente, meu sorriso leve retoma a expressão séria natural do horário comercial e todas as coisas voltam a ter a cor da rotina. Hoje você está inquieto e acompanho você ir e voltar, sem nem perceber o transtorno que me causa e faz tudo aqui dentro ficar com o sabor da paixão que você nem sabe que existe.

21 de fev de 2013

quites

tentei ser fácil, compreensiva, condescendente. mas foda-se. esse amor aqui é agressivo, perturbador, implacável. então não vou pedir desculpas por deixá-lo existir. vou permitir que ele se mostre, deixarei até que ele confesse e peça uma chance. vou deixá-lo perder o rumo e a compostura porque ele resistiu até aqui, ele merece. vou abrir espaço para que você seja, comigo e com ele, absurdamente feroz, mesmo sem intenção. danem-se as palavras doces e tranquilas. costumava ser serena, com o jeito, com as palavras, com os olhos, agora não escolho as palavras, não engulo as frases que martelam na minha cabeça diariamente, não disfarço as expressões, não edito parte alguma do que penso. virão muitas verdades, todas numa enxurrada e não vou dizer a você que se prepare. quero que você se surpreenda, não reaja, fale sem pensar, grite, perca a fala, vire as costas, volte quando eu chamar, lamente, diga que me quis, que me quer, que não é possível, que não vai dar certo. vou invadir o teu espaço, confundir tuas convicções, provocar até perder o controle. vou pegar na tua mão, criticar tuas ações, cuidar de você, massagear teu ego, te fazer rir e te tirar do sério. vou ser o motivo das tuas confusões, dos teus altos e baixos, das tuas bebedeiras, da tua falta de concentração, dos teus desabafos para os amigos. vou ser o teu arrependimento, a tua maior saudade, o teu sonho doce e a tua frustração ao despertar. vou sumir mesmo que me chames, vou aparecer quando você insistir e vou desaparecer de repente, vou fingir que tudo isso é normal e vou te convencer disto. ainda te escreverei milhares de cartas de amor obsessivo mal correspondido que te permitirão suspirar, mas nunca permitirei que fale sobre isso, que decida, que resolva, que organize-se. calarei as tuas bobagens com beijos. tirarei, finalmente, o teu sossego, a tua calma, o teu sorriso gratuito. te darei nós na garganta, frio na barriga, dor de cabeça. farei com você exatamente o que faz comigo e, se não ficarmos juntos, pelo menos, meu amor, ficaremos quites.

Falta

E como não poderia sentir saudades daquele frio na barriga quando ele chegava, daquele peso na despedida, daquela ansiedade até o retorno. Sinto falta de colecionar fotografias, de olhá-las no fim de um dia e de sorrir lembrando tudo que aconteceu no momento registrado.
Sinto falta de querer estar bela sempre para arrancar o sempre bem-vindo elogio. Sinto falta de o celular tocar, de ser o número dele chamando, de eu respirar fundo até atender, de ouvir sua voz mansa e saber que aquela doçura só vinha quando falava comigo.
E como não poderia sentir saudades de todas as perguntas feitas, porque queria saber das coisas que eu gostava e o que me importava, porque de um jeito discreto e, às vezes, sem jeito viria sempre uma atitude querendo agradar.
Sinto falta de andar de mãos dadas, sem pressa de chegar, porque o importante era estarmos juntos e de ouvir uma reclamação, caso eu, distraidamente, largasse a minha mão dele. Sinto falta de não querer me despedir, de sofrer um pouco nesses momentos, de ser consolada com as palavras “você me tem pra sempre”.
E como não poderia sentir saudade de uma data específica, um marco, um início, um dia especial, que deveria ser sempre comemorado. Sinto, tão perto, como se fosse antes de ontem, falas de amor sem ensaios, sem clichês, porque todas aquelas palavras nunca haviam sido ditas até nós dois sermos nós dois.
Sinto falta, um vazio grande, daquela inspiração romântica que me fazia escrever para não explodir de alegrias e dos escritos dele, ensaiando um romantismo pequeno, mas que era bonito de ver. Sinto falta das tardes de domingo reservada pra nós dois, com filmes e sorvetes ou sem nada disso, porque era o nosso momento e nada podia ser mais importante.
E como não poderia sentir saudade de vê-lo chorar, de sentir sua fragilidade molhando as minhas mãos, de acariciá-lo nos meus ombros, de protegê-lo ou de achar que o protegia. Sinto falta de descobrir uma coisa nova a cada dia, um segredo, uma particularidade, uma birra, um incômodo.
Sinto falta da paixão, do alvoroço, da saudade, da dedicação, da preocupação, do cuidado. Sinto falta de uma surpresa, de uma flor, de um e-mail, de um comentário neste blog, de um SMS, de um depoimento, de um convite, de um pedido, de um chamado, de um gesto espontâneo sempre presente.
E como não poderia sentir uma enorme saudade do futuro que eu achava que teríamos e que eu planejava sozinha, por achar que os nossos sonhos eram os mesmos ou andavam, ao menos, alinhados.
Sinto falta de usar alianças, de ver nelas um significado bonito, de ter não uma segurança, garantia ou promessa, mas a cumplicidade que anéis não exibem.
E como não poderia sentir falta de sentir que faço falta, de saber racionalmente que podíamos viver um sem o outro, mas ter uma certeza mais forte que só queríamos viver se fosse juntos.
Sinto falta de perceber o passado e amores antigos e não ver neles sentido, se comparado àquele presente. E tomar as experiências, o aprendizado, os sucessos e as quedas só pra fazer melhor dessa vez, achando que eu jamais poderia olhar pra trás com saudades ou pesar, porque o que viria pela frente seria incomparável.
Sinto saudade, sim, até das emoções que não vivi, porque eu achava que haveria tempo pra ter dele tudo que poderia receber, e viria em breve, em uma oportunidade ou um momento, ou um fim...

carta

Paulo,
Ontem foi seu aniversário e só à noitinha te liguei para desejar feliz dia. Mas, a gente não se fala há tanto tempo que até valeria a pena ligar só no dia seguinte ao menos para diminuir a distância. A demora, na verdade, foi por causa daquela idéia que te falei. Eu estou nessa paranóia agora de ter uma idéia original e construir algo bom, e você nem vai acreditar. Estou há dias tentando resgatar da minha mente uma muito boa que, quando eu percebi sua genialidade, escondeu-se tímida por trás da minha orelha e agora, eu não consigo vê-la de jeito nenhum. O que eu faço? É uma idéia muito boa, tenho certeza. Acordei com ela passeando pela minha semi-consciência e fiquei besta de ela ser minha, ali, no começo do dia. Bom, na verdade, já era tarde, umas duas da tarde mais ou menos. Mas era o começo do dia para mim e ela estava ali, sorridente me dizendo que eu acabara de ter a idéia excelente que há dias procuro, mas não é que ela desapareceu? Eu não sei nem te dizer como ela era. É terrível porque, eu poderia agora estar me concentrando para ter uma idéia genial, mas eu já a tenho. Sei que ela está comigo, mas não sei onde se esconde. Agora talvez você entenda a minha aflição. Já me recomendaram colocar o dedo na tomada, tomar chá de fio de telefone, mas eu não quero morrer nem ir para o hospital para que ela volte. Será que devo dormir o dia inteiro, acordar bem tarde e ela aparecerá novamente, saltitando na frente do meu nariz?

17 de fev de 2013

a dança do amor
você diz que não sabe dançar
é dor pra lá
é dor pra cá

26 de jan de 2013

solidão

não é que ela esteja sozinha. ela está apenas sentada nesse banco, aparentemente triste, contando as folhas que caem, ajeitando os cabelos por trás da orelha. você não percebeu mas, de vez em quando, ela deixa escapar um meio sorriso quando algum cachorro gracioso passa na calçada. ela não sai desse lugar  para um outro qualquer, como um lugar com muitas pessoas, onde ela não aparente estar tão solitária e triste porque não é de lugares bonitos e lotados de pessoas desinteressadas que ela precisa. você não vê, mas ela está acompanhada da esperança de que ele chegue e preencha o espaço vazio no banco onde ela está sentada, pensando na vida, aparentemente solitária, aparentemente triste, aparentemente dando meio sorrisos.

3 de jan de 2013

das histórias descritas sem detalhes


Há mais ou menos dois anos eu me apaixonei perdidamente. Sei que caberia muito bem se eu descrevesse em detalhes pontos como o sorriso dele, o típico físico ou o jeito doce e citando as coisas que ele dizia, para que vocês entendam a razão dessa paixão. Porém, não vem ao caso. No meio do caminho dessa história já finita, me apaixonei levemente por outra pessoa, cuja história não merece se misturar com essa.


Enquanto isso uma grande amiga se apaixonou também pelo mesmo homem cujo sorriso e jeito doce não vem ao caso. Caberia muito bem agora se eu descrevesse em detalhes o desenrolar dessa história idiota, para que vocês entendessem o motivo de ter um texto sobre isso aqui. Porém, ainda estou decidindo se vale a pena relembrar.

Devo reforçar que as amizades são, certamente, as coisas mais preciosas das nossas vidas. Há mais ou menos três anos eu me apaixonei perdidamente por uma pessoa. E para que fique mais claro, vou explicar, até porque cabe bem que vocês entendam a razão dessa paixão. Caberia muito bem e não soaria piegas, se eu dissesse o quanto a admiro e até a invejo, às vezes. Ela a pessoa mais autêntica, sincera e divertida que conheço. E, por mais que hoje, ostentando um rótulo de adulta, eu seja feliz com a pessoa que eu estou me tornando, me arrisco dizer que ela é uma das pessoas que mais me inspiram nessa tentativa frequentemente frustrada de ser alguém melhor.

Em vários momentos dessa amizade eu desejei ser como ela, mas há dois que precisam ser descritos aqui porque, com ou sem detalhes, complementam o que pretendo dizer.

O primeiro foi há dois anos, quando ela se apaixonou perdidamente pelo mesmo homem por quem eu estava perdidamente apaixonada, eu devo ter sido a primeira pessoa a saber. Ela foi tão sincera e preocupada com o que eu iria sentir que, diante dessa bondade, eu não conseguir ser tão honesta quanto deveria ter sido. Eu deveria ter contado que ainda sonhava com ele várias noites, que não tinha me esquecido de nenhum dos beijos, nenhuma parte dos sentimentos e que, definitivamente, aquela história começando antes mesmo que eu conseguisse forçadamente terminar a minha não me deixava feliz, nem confortável, nem nada disso. Mas eu errei e decidi tornar as coisas mais fáceis, por mais que ainda doesse. Era verdade que a amizade dela era muito mais importante que qualquer outra coisa e eu precisava de uma paixão leve mais do que nunca. Já havia uma decisão tomada e tudo iria dar certo, como sempre dá.

E muito tempo se passou, e nós nos ajudamos a superar muitas coisas relacionadas a essas paixões intensas e perdidas, entre outras coisas do cotidiano, aparentemente mais simples de serem solucionadas. E eu nunca contei a verdade porque não vinha mais ao caso e nem era mais relevante e se eu for descrever em detalhes tudo que escondi para facilitar as coisas, esse texto será uma confissão e não um desabafo para que eu consiga dormir bem esta noite.

O outro momento em que eu desejei ser como ela foi, depois de muitos capítulos dessa história idiota ter acontecido, antes de ontem. Eu não poderia descrever em detalhes porque eu não lembro. Acontece normalmente em decorrência do excesso de álcool e poderia ser apenas mais uma noite de comemoração e alegrias. Mas, quando você bebe demais, corre também o risco de tropeçar em si mesmo, nos sentimentos que nunca foram revelados, nem esquecidos, e que só no dia seguinte você percebe que não morreram como deveriam.

É possível conviver bem com os seus sentimentos escondidos mas não se convive bem com uma traição. A razão  disto é que eu beijei o homem cujos detalhes não foram descritos e não o serão agora porque a razão desse beijo, definitivamente, não vem ao caso agora. Ou vem? Entre a frase anterior e aproxima, há muitos minutos de reflexão sobre o quão sincera eu preciso ser. 

Ela viu e, a ressaca foi embora, mas a culpa, a culpa é insistente. Além disso, quase esqueço de esclarecer, é que ela foi novamente sincera como eu gostaria de ser e isso não foi fácil.

Prossigamos. Depois de ter de encarar o erro, me envergonhar, chorar, escolher bem as palavras para pedir desculpas e de falar que não há mais nenhum sentimento, me arrependi completamente.

Um arrependimento maior do que o decorrente das atitudes do dia anterior. Eu deveria ter contado, dois anos atrás, que eu me esforçava para não sentir mais nada, mas que ainda sentia e talvez, até as atitudes impensadas seriam encaradas com menos peso.

Eu escrevi um texto grande, porém sem detalhes, mas a imagem escolhida para ilustrar já seria o bastante. Eu escolhi não dizer tudo que tinha no coração. Porém, o que eu queria mesmo era não ter nele nada que eu não pudesse dizer.

Mas se quero ser mais sincera, não pude dizer que não sinto nada. Ainda não posso.

10 de dez de 2012

e o coração só quer descansar

essa semana tive uma surpresa, uma inquietação, um susto, algumas lágrimas e um alívio. tudo em uma mesma noite. tudo por causa de um ciclo que se fecha. às vezes coisas ruins acontecem e você tem que decidir manter distância. é difícil porque o acaso pode querer testar a sua força de vontade e aproximar você das coisas que você quer apenas esquecer a existência. às vezes não é o acaso, é proposital. e você continua firme em manter-se distante do que dói. seja lá como for, no fim das contas, a sua decisão mais acertada pode se tornar muito fácil simplesmente porque não há necessidade alguma de decidir entre o menos doloroso. quando você luta muito para não se importar, o universo conspira contra. quando você não luta nada, simplesmente deixa de se importar porque o tempo te trouxe essa dádiva, aí sim você pode seguir em frente.

29 de nov de 2012

conversas bizarras - sem nome, endereço ou assinatura

- ah, você escreve?
- de vez em quando...
- sobre o quê?
- sobre a vida, sobre mim, sobre as pessoas... não sei explicar direito.
- já escreveu sobre mim?
- não. ainda é muito cedo, não tenho nada pra dizer sobre você, eu acho...
- eu posso te ajudar...
- por que? quer que eu escreve cobre você?
- sim, quero estar em suas memórias.
- ok, vamos lá. o que quer que eu fale?

Então me beijou como se eu fosse a última e a mais desejada desse universo. não importa se eu seria de fato, o que importava, é que eu poderia escrever sobre como ele me beija delicadamente e, ao mesmo tempo, aperta a minha cintura com força. o que importa, se é que algo importa, é como ele toca no meu corpo com suas mãos quentes e como eu seguro a minha mão entre os cabelos dele, com força, apreciando a maciez e a sensualidade do gesto tanto quanto aprecio ele tirando meu sutiã com destreza. as coisas que pouco importam estão aqui, em uma mesma cama, rindo, bebendo e fumando, como se amanhã não fosse dia útil, como se pudéssemos romper as obrigações e paradigmas de nossas vida, como se pudéssemos andar nus pela vida inteira, em qualquer lugar. Ele tira o violão que eu ainda não sei tocar da capa, pergunta se pode me dedicar uma canção. Eu acho graça, como se ele soubesse que sempre desejei um músico ou amante da música para tocar e cantar comigo. Eu acho graça que ele escolhe as músicas pops que mais me divertem e se diverte junto comigo. e também canta músicas românticas na nossa adolescencia. Na verdade, da minha adolescência, dez anos antes da dele. Eu acho bonito que ele diz que o dedilhar do violão é apenas para me conquistar para sempre, e eu respondo que ele vai, pelo menos, me conquistar essa noite. Eu acho muita graça nele, principalmente quando ele diz que acha muita graça em mim, mesmo quando não procura...

26 de nov de 2012

um homem


Um homem está fazendo a minha cabeça. Com suas ideias geniais e genuínas. Um homem me diz que amar é muito além das complicações que eu descrevo aqui, é apenas o que eu sinto simples e não o que sinto emaranhado no que quero. Um homem que escreve cartas, poemas e bilhetes. Um homem que não quer segurar minha mão para sempre, quer me ver correr livre e voltar livre em direção a ele. Um homem está deslizando meu corpo silenciosamente, deliciosamente, descaradamente. Um homem que tem sonhos impossíveis, otimistas e audaciosos. Um homem que ouve minhas perguntas muito mais interessado na origem das perguntas do que no destino das respostas. Um homem que tem os mesmos planos que eu: se permitir

25 de nov de 2012

dos galanteios

"tava vendo todas as meninas online aqui
ai
pensei assim
vou falar com a mais bonita
logo vi vc
nem procurei mais"

24 de nov de 2012

apaixonar-se

"Apaixonar-se, mas apaixonar-se de verdade, significa jogar o próprio coração no abismo — e só depois saltar atrás dele..."


18 de nov de 2012

essas bobagens

meu amor me disse que estava desacreditado no amor. essas bobagens que dizemos quando acordamos com uma certa angústia sem sentido, um vazio que temos mas só nos damos conta de vez em quando e que nos faze repensar as atitudes e os conflitos que guiam nossas decisões. essas bobagens, sabe? eu também estou, respondi. mas agora, pensando bem, não sei se é bem verdade. apenas estamos maculados e sofrendo por uma ideia maluca que nos ensinaram de que o bom mesmo é estar em par, é encontrar alguém que queira seguir junto, lado ao lado, de mãos dadas e todas essas bobagens que pensamos estar necessariamente acompanhadas do amor verdadeiro, seja lá o que isso for. tenho um pouco de raiva dessa ideia e tento fugir dela entre uma paixão e outra, entre um amor e outro. quero ir contra essa maré que nos leva a procurar desesperadamente alguém especial e, pra piorar, ser classificado como tal, precisa seguir uma infinidade de padrões.

acontece, provavelmente por acaso, de as pessoas, podem ser poucas ou pode acontecer a todo instante, nos encantarem por um motivo ou outro. e deve estar aí a magia de amar alguém. estar encantada nos primeiros minutos, e conhecê-la por anos a fio e, apesar das muitas coisas que incomodam, continuar a ver beleza e encanto em alguém. podemos chamar de amor, poderemos partir e deixar o outro seguir outro caminho e continuar amando.

de onde vem essa bobagem de querer estar perto a todo custo e de querer que ele seja só meu, quando, na verdade, eu nem sei se sou capaz de não olhar pro lado quando ele estiver distante. pelo contrário, eu quero me encantar muitas e muitas vezes e sorrir só ou acompanhada. em alguns momentos, alguém vai me fisgar de uma forma que eu não vou nem reparar nas belezas que me cercam, como já aconteceu. mas isso deve ser temporário, como tem sido. e continua sendo bonito escolher uma criatura, dentre tantas outras, e convidá-la a ficar do seu lado por uma vida inteira. mais bonito ainda se ela quiser a mesma coisa. quando começaremos a ver mais beleza em outras possibilidades? vou poder te chamar de meu amor muitas e muitas vezes, mas o bom mesmo é que você é seu, não meu, não somos de ninguém. não seja meu, não quero jogar com os sentimentos que vieram tão à vontade e bem intencionados. nem me venha com essas bobagens de filmes românticos que cercam nossa história e fazem nossa cabeça. a nossa história pode ser melhor ainda, pode ser tudo do avesso.

12 de nov de 2012

pe[r]dido

eu queria que você segurasse a minha mão porque esse mundo maluco me assusta muito. eu posso ir sozinha, eu sei. eu sou forte, eu posso me cuidar por conta própria, estou completamente ciente disto. a questão não é saber andar com os próprios pés e tomar as decisões por mim mesma, a questão é que a vida precisa ter um brilho diferente. eu te convidei pra ficar do meu lado porque tem todo esse encanto com você aqui. sem você, bem, já sabes. eu posso encher minha vida de satisfações, de objetivos, de conquistas que virão com meu suor. mas quem vai brindar comigo? quem vai ser testemunha? quem vai ser feliz junto comigo? eu escolhi você por isso, porque juntos a vida que às vezes é tão boa e às vezes é tão difícil pode ficar melhor ainda e não tão difícil assim. eu queria que você ficasse do meu lado até o fim porque até o fim eu também queria tomar conta de você. também queria ser a presença forte e amiga com quem você pode dividir as angústias e que ia te fazer sorrir apesar do caos dessa vida que escolhemos. eu queria estar do teu lado e ser tua companheira. eu queria ser cúmplice e testemunha do seu crescimento e do seu sucesso. eu ficaria feliz do teu lado, eu sei disso porque já fui e o tempo passa, mas algumas coisas - as melhores coisas, eu diria, permanecem. você também pode seguir sozinho ou com outras pessoas. você pode fazer a escolha que melhor te cabe, mas o que eu te ofereci é bonito e só porque é bonito é que eu quis que fosse teu.

9 de nov de 2012

te define

diz que me ama mas não cansa de partir meu coração.