17 de mar de 2014

dele

"tu, certamente, é a mulher mais bonita que eu conheço. não consigo imaginar visão mais perfeita do que tu de manhã, saindo do quarto só com a minha camisa do Ramones e perguntando se tem café. eu, que fico mudo diante de você, da pergunta, e da luz que está entrando pela fresta da janela, levanto a xícara, e apenas com um gesto te convido pra sentar do meu lado. e tu, mulher mais bonita que eu conheço, sentando desleixada na cadeira, segurando meu braço com uma mão e a xícara vermelha na outra, ainda sem querer muita conversa, apenas com um sorriso no canto de rosto, não pode imaginar a alegria que eu, contidamente, sinto em te ter aqui hoje e adorando os fins de semana juntos. eu acabei de te escrever um poema e ainda não decidi se vou te mostrar, mas agora, olhando pra você com o os olhos perdidos diante dos livros da estante na sala, sem saber o que estás pensando e apenas apreciando a tua distração, vou precisar reescrever te contando da minha paixão."

10 de mar de 2014

amor não é nada disso.

"Eu achava que, por amá-la, eu deveria derreter-me em versos, comprar flores e enfeites, cuidar para que ela ficasse bem, fazer declarações de amor, dizer coisas bonitas . E depois que ela me garantisse que eu seria o único por quem ela suspiraria, eu poderia ficar sossegado de ter conquistado a moça mais encantadora que já conheci. Mas ela me disse que amor não é nada disso. O amor não tem esse enredo medíocre de novela de época. E ainda teve a ousadia de dizer que o futuro é incerto, que nada podia garantir e eu aqui pensando que meu amor era eterno. Mas aí ela diz que me ama e eu não consigo desacreditar. Mas eu quero segurança, companhia, compromisso. E eu nem sei porque quero isso, mas é o que todos querem. Ah, amor não é nada disso e do que se trata, então? Eu faço umas perguntas que a deixam calada e aborrecida. Ainda bem que ela ainda aceita andar de mãos dadas comigo, e adora olhar as estrelas deitado na varanda e por essa noite basta. Mas  eu ainda desconfio que o amor também não é nada disso."
Luana lia livros escondida porque a sua mãe achava que ela não deveria, sendo tão novinha, ler aqueles romances, cheios de sensualidade, impróprios para a sua idade. A mãe achava que, enquanto criança, melhor seria se conhecesse os contos de fada, mas Luana nunca tinha tido ninguém que lêsse para ela e, de certa forma, agradecia por isso. Preferia os romances.

Seu maior prazer era ler deitada na rede que ficava na varanda do apartamento. Décimo andar, primeiro capítulo. Tinha das 13 até as 18 horas para viajar nas histórias, porque depois dessa hora, seus pais chegavam, a enchiam de perguntas, jantavam e liam jornal, que Luana, aos 8 anos, ignorava. Preferia os romances.

Depois do jantar e das tarefas da escola rapidamente feitas, ela ia pro quarto, dizia que ia assistir desenho. Lá, no seu quarto branco e lilás, decorado com motivos infantis e algumas bonecas, ligava a TV, trancava a porta e tirava da mochila um livro intitulado Deserto. Luana nunca conheceu um deserto, morava a dez minutos da praia, mas comprou o livro com a mesada, pensando que talvez fosse instigante uma nova história num cenário que ela ainda não conhecia.

Luana sentia-se esquisita quando torcia pelos personagens, quando chorava com eles, quando desejava tirá-los de cena, quando sentia o seu coração apertado frente a uma expectativa minuciosamente descrita, tão bem escrita pelo autor. Talvez fosse bom se ela tivesse lido alguns contos de fada, alguns contos, mas ela não saberia se sentiria com esses gêneros tamanha emoção na mistura de sentimentos e de acompanhar a vida das pessoas que desvendava a cada passar de página, por isso, desconhecendo outra literatura, preferia romances.

E quando não entendia alguma palavra, não ia atrás dos dicionários, procurava compreender dentro do contexto. Mesmo assim, ficava inquieta com elas. Não poucas vezes Luana era repreendida por usar palavras impróprias em situações ainda mais impróprias. Aí ela aprendeu que as palavras nem sempre tinham o mesmo significado. Lascívia, por exemplo, jamais poderia ser dito numa conversa com os seus pais que, arregalavam os olhos estupefatos. Mas ela adorava aquela palavra, achava que soava bem... e não entendia porque, um romance pode ter livremente essa palavra e nele cabe tão bem, enquanto seus pais a engoliam seco. Concluia que seus pais deviam ler menos jornais, talvez ela pudesse ler para eles, antes de dormir algum trecho do seu novo livro, Deserto. Literatura instigante igual aquela não havia. Por esses motivos, não podia dar preferência a outro gênero literário que não fossem romances.

pra você não dizer que não avisei

Aline,

você está prestes a fazer uma coisa muito errada, que vai dar uma dor de cabeça muito grande.
Fique ciente, não se mexe com essas coisas do coração. Isso é coisa séria, ou permite-se para mergulhar ou mantenha a distância.

Pra você não dizer que não avisei.


copiado

besta
:$


pq tu fez isso, véi?
oxe. eu tenho vergonha
e eu nem terminei o texto

auhauhauhauahauhauhauahuahuahauhauhauhauhauhauhauahuah
eu declamo novamente
quando tiver terminado
tiveres*
eu quero te declamar

ahahah
<3

mas tá aí um texto que sei nunca ser capaz de alcançar a profundidade dos sentimentos
porque d'esse texto não se conhece o autor, nem o que influenciou, nem de onde veio
só se conhece o título e a capa

tem que se dispor a ler, então.

tem que se dispor a entender... porque a leitura é fluida, envolvente, cativante
mas misteriosa e complicada que chega a dar nó na cabeça da gente
e faz o coração reclamar, brabo, porque não chegou ainda no final da estória

mas sempre haverá trechos vagos, confusos e que só serão entendidos no decorrer, ou talvez no final

pois é... mas se a gente faz que nem o coração quer, perde a riqueza dos detalhes das partes fáceis e singelas... e se se dispõe a querer entender tudo, nunca vai além de algumas páginas

agora pode copiar essa nossa conversa e colocar num texto, pq tá ficando bonito de ler e eu quero recordar depois

eu sempre vou te repetir isso
tu pode fazer o que quiser, sua linda!

: )

onde tu vai escrever? pr'eu ler depois?
ler/continuar a conversa? XD

eu pedi pra tu copiar, bocó

ah, foi?
achei que tu ia copiar
^^

eu queria... tudo

eu queria. mas meu desejo, bem como outros sentimentos que moram na mesma rua, se alimenta apenas de reciprocidade. é uma dieta restrita, por isso ele aguenta algum tempo e aguarda. mesmo faminto, ainda se mantém bem vivo. mas quando está no fim das energias, aquieta-se e morre. hoje a casa do desejo ficou vazia, mudou-se pra lá a saudade, essa se alimenta de tudo.

6 de mar de 2014

não sinto, insisto.

Não senti falta dessa perturbadora necessidade de te escrever uma nova carta de amor. Mas escrevo para pedir que, por favor, pare de aparecer nos semblantes e nos sorrisos de outras pessoas que vejo na rua. Pare de ser lembrado num gesto ou num jeito. Pare de retornar e confundir a  minha oculta e discreta saudade. Por favor, mantenha-se apenas inexistente ou inconsciente, bem colocado nas minhas poesias do passado, na recordação da falta que já não sinto, nos sentimentos que deixei pra trás quando parti, nas fotografias que nunca olho. Acredite, não estou sentindo falta da vulnerabilidade que me acompanhava, nem do frio na barriga, nem das gargalhadas entre nós, nem da tua companhia, nem da tua sentida ausência. Não sinto, insisto.

31 de jan de 2014

nem todas as histórias são de amor

Dona Rita veio aqui e me contou queNem todas as historias são de amor
Tem também a história daquela senhora que nunca sai de casa esperando o marido voltar e ele nunca vem.

Tem t​am​b​é​m o caso do menino que nunca viu a m​ã​e, nem o pai e que nunca precisou de ninguém para ensinar a ele o que significa abandono.
Tem ainda a história d​e​  seu João que  eu conheci hoje no metrô, que perdeu no mesmo dia o emprego e o sorriso dos seus filhos.
Triste mesmo é o que me conta o seu João sobre sua infância e como veio parar em São Paulo. Ele odiava a Bahia, ele também odeia a cidade aqui e diz que não existe nenhum lugar mais pra onde ele queira se ilud-ir. É triste.




​Mas contei pra Dona Rita a história de Bianca que ontem chorou porque abriu a porta e mandou o amor ir embora e ele foi. E hoje ele voltou com flores.​
E Dona Rita sorriu.

20 de jan de 2014

Duo

Só nós transitamos pelo corredor. Dois reconhecendo a força das paredes, testando a confiança das portas. Abruptamente. Duas meadas sombras de dois pares de pés descalços frêmitos e quentes. Eu não sei se a noite é voraz ou se é a minha pele que arde e come a brisa que passeia. Uma porta é aberta, a luz passa querendo descobrir nossas vergonhas. Pares de sapatos atrás da porta, dois travesseiros, duas taças. Um clique, um estrondo. Uma pausa, uma artéria. Um impulso, um expulso. Pares de coisas que só vemos no escuro. Passam as horas velozes a desafiarem os dois ponteiros do relógio. Os minutos e os segundos. Não há horas. O tempo pára na entrega. Um pause no tempo que passa, no tempo que fica e não volta. A cena, se vista de fora, nenhum artista teria coragem de retratar. Desenhistas perderiam a linha. Fotógrafos se esconderiam atrás do obturador. Pintores misturariam tantas cores que só o abstrato ininteligível ficaria à mostra. Só nós transitamos entre o vão do quarto onde os quadros inacabados estão entulhados. Durmo entre as partes de sonho e consciência, sem saber que durmo e não sonho e sonho e não durmo. Alterno. O corredor se alonga. Os segundos se exasperam, dificultam. Maldito corredor que não pára de se espreguiçar. O despertador chega pontualmente e te leva embora. Visto-me, apago a luz, fecho a porta e vou embora. Dois dias depois, não mais, tudo morre no tempo e no esquecimento, concluo.

6 de jan de 2014

amor breve

Todas as músicas da tua playlist me agradam. Teu sorriso me agrada. Não lembro se te falei, mas aquele livro que você indicou é fantástico. E lembra o Rio, pra onde fomos poucas vezes e temos vontade de nunca mais voltar? Pois é, sinto o mesmo. Você não acredita em nada e eu acredito em tudo. Ainda bem que ETs existem e podemos concordar nisso também. Não nascemos um para o outro, tenho certeza. Mas termos nos apaixonados em pleno século onde pedimos para que haja mais amor, não pode ser coincidência. Sabia que tomei banho de mar lembrando de você? Quando você vai voltar a surfar? Ah, eu quero provar da caipirinha que você faz com maestria, mesmo que seja só nos raros dias quentes. Aqui também está frio, mas é a estação da ausência. Dura poucos dias no verão, não se preocupe. Quando você voltar, prometo o passeio de bike no parque e o açaí com gosto de beijo. Vai ser feliz de novo. Até breve!