31 de mar de 2012

medo.

eu não quero escrever sobre o medo. mas se tem um sentimento que define bem o sentimento de agora, é esse. durante muitos dias eu sonhei, eu esperei, eu pedi por favor. durante muitos dias eu insisti, eu senti, eu acreditei e eu tive coragem, uma coragem que eu nem sabia que tinha. mas hoje, meu bem, eu não sei se consigo sozinha. eu olho o pedaço de céu cinzento agora, olho as janelas, só uma luz acesa no prédio em frente. será que eu vou ter pelo menos uma luz acesa quando você chegar? será que eu consigo pedir pra começar do zero, pedir pra esquecer todas os erros, os meus e os seus. será que ainda conseguiremos fazer planos juntos? será que eu consigo acreditar que vai ser feliz daqui por diante? será que você ainda vai me querer quando me encontrar cheia de dúvidas e com lágrimas caindo uma após a outra? eu não sei. e essa é a incerteza que me amedronta. pra conseguir respirar, eu lembro do seu sorriso, do seu carinho e entendo o motivo de eu não ver tanta graça em nenhum outro. eu lembro de nós dois, só não sei se você ainda vai querer segurar minha mão. era toda segurança que eu queria agora, cinco dedos e você disposto a seguir lado a lado. esperando.

24 de mar de 2012

desafio: esquecê-lo

passo 1: dedicar-se a alguma coisa nova -  qualquer coisa em que ele não esteja envolvido.

23 de mar de 2012

À Palo Seco




Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
O tango argentino me vai bem melhor que o blues

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Eu quero que esse canto torto
Feito faca corte a carne de vocês

21 de mar de 2012

rasga esse post e joga no lixo!

Os filmes românticos estragam você de alguma maneira.

Você é cativado pelo enredo. Em seguida, você se imagina no lugar dos personagens. Pouco depois, por mais distinta da sua realidade que seja a história, você começa a transpor os acontecimentos pra sua vida real. Então, mais rápido do que você imagina, a sua vida real vai adquirindo alguns comportamentos da mocinha ou do mocinho. E você espera as conflitos da vida a dois serem superados pelo amor e todas as besteiras cometidas por horas desfechar num final feliz.

Quando eu era criança, queria ser escritora de romances. Acho que já falei disso por aqui. Eu sempre acreditei no amor e acredito piamente ainda. Mas sabe quando tem um buraco enorme no seu coração e você passa a parecer mais com a menina angustiada porque não tem ninguém, do que a mocinha corajosa e heroína, personagem principal da história? Pois é.

Hoje um casal amigo comemora quase um ano juntos e, apesar da sincera felicidade que sinto ao vê-los 'dando certo', sinto uma certa inveja e pena de mim mesma. Não sintam pena de mim, eu já sinto o suficiente. Mas não sou mais a mesma menina cheia de esperança que assistia e lia história de romances e se via nele. Antes eu pensava algo do tipo "vai ser assim comigo" e hoje a idéia é "por que não eu" e uma porrada de lágrimas.

Não é que eu esteja esperando um príncipe encantado. Calma! Não é nem que eu esteja esperando alguém. É que eu me faço um monte de pergunta pra entender porque há tanta frustração nesse coração tão pequeno e quem sabe seguir tranquila na vida, ainda que sozinha. Por que as pessoas não se entregam mais? Por que a gente faz do ego o nosso universo e ai do outro se não couber lá? Por que a gente se descarta, se afasta e desiste de seguir de mãos dadas? E por que eu quero tanto que haja amor independente de tudo? Por que eu faço tanta questão disso? Eu devo ter me contaminado por todas as histórias de amor que li durante a adolescência ou devo ter corrido atrás de romances inventados porque eu já nasci contaminada com a idéia de que o amor é o mais importante.

Eu não sei quando foi que eu perdi as esperanças e eu também não sei se perdi por completo, mas me deixa falar sobre isso, por mais deprimente que eu pareça, porque esses desabafos são a razão da minha sanidade e vontade de viver.

believe

Sei lá, talvez amanhã aconteça algo bom, inesperado, ou quem sabe você volte e faça ficar tudo bem... 

18 de mar de 2012

inacabado

andei me perguntando o que seria menos ruim o final ou o inacabado. andei me perguntando tanta coisa nos últimos dias que a minha cabeça já tem posts até o final de 2012 sobre essas perguntas, sobre algumas respostas e sobre não ter respostas sobre as coisas.

talvez eu devesse me perguntar menos, me cobrar menos e até sonhar menos.

ou talvez, e mais fácil, eu devesse exigir menos (de mim e dos outros) dessa coisa ideal de esperar que sejamos sempre bons, corajosos, altruístas e magnânimos. parei nessa pergunta se o inacabado não incomodaria mais do que o final. ou se o final doeria tanto e deixaria uma marca tão forte que seria melhor que ele nem existisse.


não é a mesma coisa de uma parede que precisa secar para levar mais uma mão de tinta. não é uma reforma na casa, entende?


falo de fechar um ciclo para poder começar o outro. obviamente é a coisa certa. mas quem disse que eu quero virar a página e seguir em frente?


tem coisa que precisa de ponto final, tem coisa que pode seguir bem se não tiver completo. é como se o feio, o incongruente, o confuso e o vir a ser tivessem finalmente o seu lugar. e eu gosto da idéia.


ficamos sempre nessa busca pela segurança e pelo equilíbrio, em fazer o que é o obviamente certo de fazer, em tomar as decisões racionais, sensatas e lógicas.


tem coisa que precisa de foco, um começo, um ápice, um meio e um fim. tem coisa que pode seguir inacabado e esse será seu próprio fim. e eu gosto da idéia...

15 de mar de 2012

Moça

eu quero me enrrolar nos teus cabelos
abraçar teu corpo inteiro
morrer de amor
de amor me perder

14 de mar de 2012

definição



felicidade é correr atrás de um balão cheio de ar... bonito, vermelho, é não deixar ele escapar. e olha, lá, ele já vai voando...

mundo grande

(Carlos Drummond de Andrade escreveu, mas podia ter sido eu.)


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias: preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros,
carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem...sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está
crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
-ó, vida futura! Nós te criaremos.


para Luiggi <3

11 de mar de 2012

conversas...

...
- Eu nunca esqueci. Foi há quase um ano... você ainda era loira.
- Mudo a cor de cabelo com frequência...
- Como Ramona Flower? Como Clementina?
- hahahaha. Quem é Clementina?
- Você não lembra? Oh, querida! Oh, querida! Oh, querida, Clementina!
- Como é? hahahaha
- Do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças...
- Ah, claro! Eu adoro esse filme...
- Eu também!
- E adoro as cores do cabelo dela. Gente, como Kate Winslet é linda de todo jeito.
- Linda é você!
- :)

se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro.

Só agora, em silêncio é que eu entendo. Bom ainda estou começando a entender... Sejamos pacientes!
Vou ser sincera: prefiro as palavras. Mas, às vezes, a confusão que elas trazem é tão grande que seria melhor que não tivéssemos dito nada. O silêncio também me confunde. Não sei se as coisas mudaram, não sei como estão os planos, não sei quais são os pensamentos, não sei se a saudade está apenas comigo, não sei se ainda existe amor. Não tenho como saber, se ninguém me diz. A vantagem é que nesse momento, não ter certeza me deixa livre para viver feliz apenas com o que tenho, o silêncio. Me angustia um pouco não poder dizer nada, entende? Me sinto presa por não poder ser naturalmente tagarela como sou sempre. Mas é melhor assim. Até escrever aqui, como uma atividade saudável de refletir sem tomar nenhuma atitude precipitada, é cheia de reguladas, deletando todas as palavras que eu não devo dizer.  Aos poucos, eu vou entender que se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. 

9 de mar de 2012

definição

"Amor é quando você tem todos os motivos para desistir de alguém, e não desiste."

7 de mar de 2012

Fernando e suas pessoas


O Que Há
 
 
    O que há em mim é sobretudo cansaço — 
    Não disto nem daquilo, 
    Nem sequer de tudo ou de nada: 
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo, 
    Cansaço.     A sutileza das sensações inúteis, 
    As paixões violentas por coisa nenhuma, 
    Os amores intensos por o suposto em alguém,  
    Essas coisas todas — 
    Essas e o que falta nelas eternamente —; 
    Tudo isso faz um cansaço, 
    Este cansaço, 
    Cansaço.
    Há sem dúvida quem ame o infinito, 
    Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
    Há sem dúvida quem não queira nada — 
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
    Porque eu amo infinitamente o finito, 
    Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,  
    Ou até se não puder ser...
    E o resultado? 
    Para eles a vida vivida ou sonhada,  
    Para eles o sonho sonhado ou vivido, 
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...  
    Para mim só um grande, um profundo, 
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,  
    Um supremíssimo cansaço,  
    Íssimno, íssimo, íssimo, 
    Cansaço...

6 de mar de 2012

quebra-cabeça

A primeira vez que eu concluí que amar não é suficiente, foi horrível. É negativo demais pra minha cabecinha romântica e sonhadora. Mas, é hora de encarar a realidade. As pessoas são tão bonitas, tão bonitas, que chega a ser cruel que tanta beleza no sorriso delas seja transformada em lágrimas. Eu falo pelo grupo dos que não querem só amar, querem ser amados de volta. Não queremos só a companhia, queremos também ser únicos, exclusivos. Estamos errados por isso? Eu não sei. Mas alguns estão querendo isso, e só ficarão satisfeitos quando a realidade for assim, apenas dois e um coração desenhado com giz de cera vermelho entre eles. Outros estão querendo exatamente o oposto. Querem estar livres, querem desfrutar de todas as belezas que há no mundo. Quem está errado? Ambos estão certos. Ambos querem ser felizes e não existe só um caminho nem para chegar a Deus, nem para chegar a tal da felicidade. Mas se os dois se amam e cada um pertence a um grupo e cada um quer o oposto, me ajuda a desvendar o quebra-cabeça que é os dois ficarem juntos, porque essa brincadeira é mais difícil do que eu pensava.