3 de jan de 2013

das histórias descritas sem detalhes


Há mais ou menos dois anos eu me apaixonei perdidamente. Sei que caberia muito bem se eu descrevesse em detalhes pontos como o sorriso dele, o típico físico ou o jeito doce e citando as coisas que ele dizia, para que vocês entendam a razão dessa paixão. Porém, não vem ao caso. No meio do caminho dessa história já finita, me apaixonei levemente por outra pessoa, cuja história não merece se misturar com essa.


Enquanto isso uma grande amiga se apaixonou também pelo mesmo homem cujo sorriso e jeito doce não vem ao caso. Caberia muito bem agora se eu descrevesse em detalhes o desenrolar dessa história idiota, para que vocês entendessem o motivo de ter um texto sobre isso aqui. Porém, ainda estou decidindo se vale a pena relembrar.

Devo reforçar que as amizades são, certamente, as coisas mais preciosas das nossas vidas. Há mais ou menos três anos eu me apaixonei perdidamente por uma pessoa. E para que fique mais claro, vou explicar, até porque cabe bem que vocês entendam a razão dessa paixão. Caberia muito bem e não soaria piegas, se eu dissesse o quanto a admiro e até a invejo, às vezes. Ela a pessoa mais autêntica, sincera e divertida que conheço. E, por mais que hoje, ostentando um rótulo de adulta, eu seja feliz com a pessoa que eu estou me tornando, me arrisco dizer que ela é uma das pessoas que mais me inspiram nessa tentativa frequentemente frustrada de ser alguém melhor.

Em vários momentos dessa amizade eu desejei ser como ela, mas há dois que precisam ser descritos aqui porque, com ou sem detalhes, complementam o que pretendo dizer.

O primeiro foi há dois anos, quando ela se apaixonou perdidamente pelo mesmo homem por quem eu estava perdidamente apaixonada, eu devo ter sido a primeira pessoa a saber. Ela foi tão sincera e preocupada com o que eu iria sentir que, diante dessa bondade, eu não conseguir ser tão honesta quanto deveria ter sido. Eu deveria ter contado que ainda sonhava com ele várias noites, que não tinha me esquecido de nenhum dos beijos, nenhuma parte dos sentimentos e que, definitivamente, aquela história começando antes mesmo que eu conseguisse forçadamente terminar a minha não me deixava feliz, nem confortável, nem nada disso. Mas eu errei e decidi tornar as coisas mais fáceis, por mais que ainda doesse. Era verdade que a amizade dela era muito mais importante que qualquer outra coisa e eu precisava de uma paixão leve mais do que nunca. Já havia uma decisão tomada e tudo iria dar certo, como sempre dá.

E muito tempo se passou, e nós nos ajudamos a superar muitas coisas relacionadas a essas paixões intensas e perdidas, entre outras coisas do cotidiano, aparentemente mais simples de serem solucionadas. E eu nunca contei a verdade porque não vinha mais ao caso e nem era mais relevante e se eu for descrever em detalhes tudo que escondi para facilitar as coisas, esse texto será uma confissão e não um desabafo para que eu consiga dormir bem esta noite.

O outro momento em que eu desejei ser como ela foi, depois de muitos capítulos dessa história idiota ter acontecido, antes de ontem. Eu não poderia descrever em detalhes porque eu não lembro. Acontece normalmente em decorrência do excesso de álcool e poderia ser apenas mais uma noite de comemoração e alegrias. Mas, quando você bebe demais, corre também o risco de tropeçar em si mesmo, nos sentimentos que nunca foram revelados, nem esquecidos, e que só no dia seguinte você percebe que não morreram como deveriam.

É possível conviver bem com os seus sentimentos escondidos mas não se convive bem com uma traição. A razão  disto é que eu beijei o homem cujos detalhes não foram descritos e não o serão agora porque a razão desse beijo, definitivamente, não vem ao caso agora. Ou vem? Entre a frase anterior e aproxima, há muitos minutos de reflexão sobre o quão sincera eu preciso ser. 

Ela viu e, a ressaca foi embora, mas a culpa, a culpa é insistente. Além disso, quase esqueço de esclarecer, é que ela foi novamente sincera como eu gostaria de ser e isso não foi fácil.

Prossigamos. Depois de ter de encarar o erro, me envergonhar, chorar, escolher bem as palavras para pedir desculpas e de falar que não há mais nenhum sentimento, me arrependi completamente.

Um arrependimento maior do que o decorrente das atitudes do dia anterior. Eu deveria ter contado, dois anos atrás, que eu me esforçava para não sentir mais nada, mas que ainda sentia e talvez, até as atitudes impensadas seriam encaradas com menos peso.

Eu escrevi um texto grande, porém sem detalhes, mas a imagem escolhida para ilustrar já seria o bastante. Eu escolhi não dizer tudo que tinha no coração. Porém, o que eu queria mesmo era não ter nele nada que eu não pudesse dizer.

Mas se quero ser mais sincera, não pude dizer que não sinto nada. Ainda não posso.

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