11 de jul de 2012

abraço terno e mudo

eu escrevo em blogs desde 2003. começou quando Luciano me perguntou se eu já tinha lido o blog de Gustavo. eu não tinha lido, mas como eu admirava Gustavo demais, sabia que seria agradável conhecer não só o que ele pensa, mas também o que ele escrevia. eu me apaixonei pela escrita de Gustavo, pelo próprio Gustavo em seguida, e pela idéia de conhecer as pessoas pelo que elas escreviam.
então, criei um blog. depois outro, depois outro. depois eu notei que ter um blog não era ainda pra eu escancarar as minhas verdades para os meus amigos, nem pra desconhecidos. seria, no máximo, um lugar onde eu pudesse refletir sobre as minhas incertezas. porque muito cedo me dei conta que elas estão mais presentes e firmes do que as minhas verdades, sempre tão flexíveis. e aí que ter um blog virou uma terapia. notei isso quando meus textos viraram desabafos, cartas de amor e pedidos de socorro desesperados, só quem sofre do mal de amores não correspondidos vai entender esse desespero. era um alívio poder transformar as minhas angústicas adolescentes em algo concreto. depois, eu fui conhecendo pessoas com o mesmo hábito. algumas que se tornaram amigas e outras que eu fui conhecendo e acompanhando a vida, sem sequer ter uma conversa, no máximo um comentário no post. e foi assim que eu descobri o mundo de outros, pessoas que deviam ser famosas porque escrevem como artistas. pessoas que são tão sensíveis que, nem sabem, mas tornam o mundo de quem lê muito mais bonito. fora os acontecimentos tristes e fatais que, por serem tão doloridos, precisam virar texto para não matar o coração e compreendo isso muito bem. eu sempre achei que escrever era a melhor saída. melhor do que fazer terapia e melhor até do que cansar os meus amigos com meus problemas doídos pra mim, mas tão pequenos diante da piração do resto do mundo. é estranho porque eu não gosto de me abrir, de dizer como eu me sinto, não gosto porque sei que serei julgada mais do que compreendida. e também porque ser compreendida (e julgada) não resolve nada. e também porque, na verdade, o propósito não é resolver. não é um problema social, não é uma equação, não é um enunciado de prova de lógica, não é uma charada. é apenas a minha vida, com algumas angustias femininas, românticas, burguesas... preferia não ter esses adjetivos para definir. alguns namorados liam, achavam que me conheciam bem demais e não entendiam muito algumas ambiguidades da minha escrita frente ao momento da minha vida. namorados provavelmente não estão prontos para conhecer quem você é, visto que, no momento da paixão, já idealizaram e ficaram felizes e conformados com a projeção idealizada que tinham. mas isso é uma outra história. a história que queria contar aqui, não pra vocês que às vezes leem, mas pra mim mesma, para que eu lembre um pouco mais de quem sou, no caso de eu me esquecer, tem a ver com esse exercício de auto-reflexão tão importante pra mim. queria lembrar como e porque comecei, queria me lembrar porque ainda estou aqui. é como se eu me olhasse no espelho e me conhecesse um pouco mais em cada palavra. esse blog não tem a pretensão de ser uma obra literária ou coisa assim, embora eu admire obras dessas que nos permitem conhecer (ou achar que vamos conhecer) a figura profundamente. tem apenas a intenção de esclarecer pra mim mesma quem sou, relembrar o que aprendi e me ajudar a seguir em frente e em vôos altos, como eu acho que tem que ser. não vou dizer que escrevo tudo, há muitos rascunhos que lá ficaram pela vergonha de parecer imbecil, mas tento me desprender desse medo da exposição e me abro um pouco. exige esforço. quem chega aqui porque encontrou o link em algum lugar ou porque me conhece pessoalmente e sabe da existência desse blog, provavelmente me conhece mais do que quem fala comigo todos os dias. e eu fico feliz por isso. fico feliz quando vejo alguém assinando ou quando recebo um email. não significa que eu seja interessante, mas como é despretensioso, não há essa preocupação. o que quero dizer é que  é bom ser lida. e há os comentários... acho tão bonito quem se dá ao trabalho de comentar alguma coisa, às vezes é só uma palavra doce, um recado, um elogio.  quase sempre me tira um sorriso e devo ser grata por isso. e há os que nunca dizem nada, mas que estão por aqui com frequencia. me sinto menos só no mundo por causa desse blog e porque alguém de vez em quando aparece aqui e me vê, é como se me ouvissem quietinhos. me sinto como se tivesse recebendo  um abraço terno e mudo, meu preferido.

2 comentários:

Janayna disse...

Aline parabéns pelo blog e pelo texto. Encontrei teu blog em um dia que eu estava no trabalho e muto triste. lembro que fui passando de blog em blog, lendo vários textos até que encontrei os teus textos. acho que li uns dez textos em seguida. e eu achei incrível porque eles descreviam tudo o que eu sentia e queria falar mais não pudia. foi quando eu pequei uma folha e comecei a escrever. posso dizer que naquela manhã seus textos me salvaram. desde então passo sempre por aqui. obrigada pelas palavras. até breve.

Anderson Rangel disse...

Aline, lendo essa publicação lembrei que assim como ouve os responsáveis pelo seu interesse de criar um blog, você é responsável por despertar em mim esse mesmo interesse. Comecei o primeiro blog em sua casa feito com a sua ajuda. e hoje eu "DIGO" também. kkk Xeru de tua cria hehehe