23 de fev de 2012

Uma carta de amor e de despedida


No fim das contas... espera! Você não vai entender se eu começar a escrever uma carta pelo “fim das contas”, vai? Vai, sim. Você sempre me entende.

Mas, o que eu estava dizendo, é que no fim das contas, eu só quero ser feliz. E se as últimas ligações na madrugada tinham gosto de lágrima e se todas essas conversas que tenho ao nosso respeito não são assim, felizes, é porque você não está aqui.

Porque contigo, eu via graça nas coisas mais bobas.  Não é porque o meu sorriso é fácil, é porque com você do meu lado, eu só conseguia ter esperança de que a vida inteira seria linda e feliz, tendo por exemplo cada minutinho em que nós dois podíamos ser nós dois e nenhuma preocupação entrararia pela porta.

Em todos os tropeços, eu sabia que a sua mão ia surgir para me segurar. Eu sabia que podia te ligar no meio da noite só pra dizer um pouco de todo o amor e saudade que eu tinha crescendo no peito e que ambos já estavam saindo pela garganta.

Eu amava olhar nossa foto no canto do quarto e todos os dias eu podia sorrir pra nós dois e pensar "quem diria que ia se tornar amor?". Eu amava ir buscar um copo d'água na cozinha e ver a rosa que você mesmo arrancou do vizinho pra me surpreender. Eu amava quando perguntavam de você e eu podia escolher as palavras mais doces para descrever o quanto era bom estar contigo.

E todas as vezes que eu deitava a cabeça no travesseiro, eu olhava pro teto e sabia que dois mil quilômetros era pouco pra nos separar e que aí, na nossa cidade, você estava na mesma posição e refletindo sobre a mesma coisa. E eu só queria poder estar abraçada contigo agora e dizer 'baby, eu te amo tanto...'

Eu, ciente que nem só de ilusões o amor vive, já tinha feito contas, planos e esquemas que nos permitisse continuar juntos, se você ainda quisesse... Eu sei que a saudade doía, mas eu sei também que quando ela machucava muito, você chegava no começo da manhã e me acordava com um beijo. E teu beijo cura tudo. E a gente era feliz contando os dias até se reencontrar. E eu podia procurar o seu sorriso no aeroporto. E eu podia caminhar com você de mãos dadas.

E quando as coisas dessem errado, quando a gente perdesse a esperança, quando viesse a desilusão, quando tudo ficasse muito difícil, eu só queria te dizer 'por favor, não desiste'... E eu sei que misturaria toda emoção com essa bosta dessa racionalidade, e, vamos combinar que sou muito boa em achar lógica até no amor, e te convenceria a nunca mais ia largar da minha mão.

E eu poderia te chamar no skype e cantar "por você, eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô... - e substituiria o "eu iria a pé do Rio a Salvador" por "eu iria a pé de Sampa ao Recife - e garanto que até Frejat ia achar minha versão mais bonita, mesmo sem rima.

E nós podíamos planejar conhecer qualquer lugar do universo, mesmo que não tivéssemos tempo nem dinheiro suficiente, mas porque amávamos a idéia de viajar o mundo e tirar fotos dos nossos pés lado a lado. E, por mais que eu soubesse a distância e as horas que levariam para ir até você, eu nunca me sentia sozinha, porque eu sentia que você estava no lugar certo, dentro de mim.

E agora, tudo mudou. De novo. Porque eu sou obrigada a te tirar do seu lugar certo e isso não tem o menor cabimento. Eu vim aqui pra ficar do teu lado e não posso, não devo. Tenho que ser racional, tenho que evitar te amar porque amanhã eu estarei partindo... Tenho que me afastar para não sofrer e mesmo assim não vejo o sofrimento ir embora. Agora, me fala, você tem certeza que estamos fazendo a coisa certa pondo um ponto final e ficando assim, cada um para um lado?

Como eu estava dizendo, no fim das contas... é, no fim das contas, eu vou embora. E vou agora. Porque eu não estou pronta para não ser mais tua. Eu não estou pronta para matar um amor assim. Não estou pronta para vê-lo morrer entre outros beijos e em outros braços que nem deveriam entrar na nossa história. Não estou pronta para desistir. E nunca, nunca vou aceitar essa condição. Eu queria ter outra escolha, qualquer outra menos descabida do que essa.


Eu vou embora e eu não sei do futuro... Mas eu sei que com você, no fim das contas, daria certo e seria como a gente sempre quis... muito feliz.

Um comentário:

Erika disse...

Linda!!!! Retrata a MINHA história e o meu adeus. Como dói...