No fim das contas... espera! Você não vai entender se eu
começar a escrever uma carta pelo “fim das contas”, vai? Vai, sim. Você sempre me
entende.
Mas, o que eu estava dizendo, é que no fim das contas, eu só
quero ser feliz. E se as últimas ligações
na madrugada tinham gosto de lágrima e se todas essas conversas que tenho ao
nosso respeito não são assim, felizes, é porque você não está aqui.
Porque contigo, eu via graça nas coisas mais bobas. Não é porque o meu sorriso é fácil, é porque
com você do meu lado, eu só conseguia ter esperança de que a vida inteira seria
linda e feliz, tendo por exemplo cada minutinho em que nós dois podíamos ser
nós dois e nenhuma preocupação entrararia pela porta.
Em todos os tropeços, eu sabia que a sua mão ia surgir para
me segurar. Eu sabia que podia te ligar no meio da noite só pra dizer um pouco
de todo o amor e saudade que eu tinha crescendo no peito e que ambos já estavam
saindo pela garganta.
Eu amava olhar nossa foto no canto do quarto e todos os dias eu podia sorrir pra nós dois e pensar "quem diria que ia se tornar amor?". Eu amava ir buscar um copo d'água na cozinha e ver a rosa que você mesmo arrancou do vizinho pra me surpreender. Eu amava quando perguntavam de você e eu podia escolher as palavras mais doces para descrever o quanto era bom estar contigo.
Eu amava olhar nossa foto no canto do quarto e todos os dias eu podia sorrir pra nós dois e pensar "quem diria que ia se tornar amor?". Eu amava ir buscar um copo d'água na cozinha e ver a rosa que você mesmo arrancou do vizinho pra me surpreender. Eu amava quando perguntavam de você e eu podia escolher as palavras mais doces para descrever o quanto era bom estar contigo.
E todas as vezes que eu deitava a cabeça no travesseiro, eu
olhava pro teto e sabia que dois mil quilômetros era pouco pra nos
separar e que aí, na nossa cidade, você estava na mesma posição e refletindo
sobre a mesma coisa. E eu só queria poder estar abraçada contigo agora e dizer 'baby, eu te amo tanto...'
Eu, ciente que nem só de ilusões o amor vive, já tinha feito contas, planos e esquemas que nos permitisse continuar juntos, se você ainda quisesse... Eu sei que a saudade doía, mas eu sei também que quando ela machucava muito, você chegava no começo da manhã e me acordava com um beijo. E teu beijo cura tudo. E a gente era feliz contando os dias até se reencontrar. E eu podia procurar o seu sorriso no aeroporto. E eu podia caminhar com você de mãos dadas.
E quando as coisas dessem errado, quando a gente perdesse a esperança, quando viesse a desilusão, quando tudo ficasse muito difícil, eu só queria te dizer 'por favor, não desiste'... E eu sei que misturaria toda emoção com essa bosta dessa racionalidade, e, vamos combinar que sou muito boa em achar lógica até no amor, e te convenceria a nunca mais ia largar da minha mão.
E eu poderia te chamar no skype e cantar "por você, eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô... - e substituiria o "eu iria a pé do Rio a Salvador" por "eu iria a pé de Sampa ao Recife - e garanto que até Frejat ia achar minha versão mais bonita, mesmo sem rima.
E nós podíamos planejar conhecer qualquer lugar do universo, mesmo que não tivéssemos tempo nem dinheiro suficiente, mas porque amávamos a idéia de viajar o mundo e tirar fotos dos nossos pés lado a lado. E, por mais que eu soubesse a distância e as horas que levariam para ir até você, eu nunca me sentia sozinha, porque eu sentia que você estava no lugar certo, dentro de mim.
Eu, ciente que nem só de ilusões o amor vive, já tinha feito contas, planos e esquemas que nos permitisse continuar juntos, se você ainda quisesse... Eu sei que a saudade doía, mas eu sei também que quando ela machucava muito, você chegava no começo da manhã e me acordava com um beijo. E teu beijo cura tudo. E a gente era feliz contando os dias até se reencontrar. E eu podia procurar o seu sorriso no aeroporto. E eu podia caminhar com você de mãos dadas.
E quando as coisas dessem errado, quando a gente perdesse a esperança, quando viesse a desilusão, quando tudo ficasse muito difícil, eu só queria te dizer 'por favor, não desiste'... E eu sei que misturaria toda emoção com essa bosta dessa racionalidade, e, vamos combinar que sou muito boa em achar lógica até no amor, e te convenceria a nunca mais ia largar da minha mão.
E eu poderia te chamar no skype e cantar "por você, eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô... - e substituiria o "eu iria a pé do Rio a Salvador" por "eu iria a pé de Sampa ao Recife - e garanto que até Frejat ia achar minha versão mais bonita, mesmo sem rima.
E nós podíamos planejar conhecer qualquer lugar do universo, mesmo que não tivéssemos tempo nem dinheiro suficiente, mas porque amávamos a idéia de viajar o mundo e tirar fotos dos nossos pés lado a lado. E, por mais que eu soubesse a distância e as horas que levariam para ir até você, eu nunca me sentia sozinha, porque eu sentia que você estava no lugar certo, dentro de mim.
E agora, tudo mudou. De novo. Porque eu sou obrigada a te
tirar do seu lugar certo e isso não tem o menor cabimento. Eu vim aqui pra
ficar do teu lado e não posso, não devo. Tenho que ser racional, tenho que evitar te amar porque amanhã eu estarei partindo... Tenho que me afastar para não sofrer e mesmo assim não vejo o sofrimento ir embora. Agora, me fala, você tem certeza que estamos fazendo a coisa certa pondo um ponto final e ficando assim, cada um para um lado?
Como eu estava dizendo, no fim das contas... é, no fim das contas, eu vou embora. E vou agora. Porque eu não estou pronta para não ser mais tua. Eu não estou pronta para matar um amor assim. Não estou pronta para vê-lo morrer entre outros beijos e em outros
braços que nem deveriam entrar na nossa história. Não estou pronta para
desistir. E nunca, nunca vou aceitar essa condição. Eu queria ter outra escolha, qualquer outra menos descabida do que essa.
Eu vou embora e eu não sei do futuro... Mas eu sei que com
você, no fim das contas, daria certo e seria como a gente sempre quis... muito feliz.
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