21 de jan de 2012

Se tenho asas, é pra voar

Se tenho asas, é pra voar. Não nasci pra fazer menção ao vôo e ser segurada por um peso amarrado ao pescoço. Se dizem que eu mereço sobrevoar o horizonte, admirar o por do sol de perto, pousar para me deliciar com o vento balançando os meus cabelos, e levantar aos ares de novo, não é isso que eu deveria fazer? Eu estou convencida que mereço o céu, não devo dar ouvidos a quem diz o contrário. Por mais que eu ame, por mais que eu veja amor nas palavras de conselho. Eu mereço voar. Por que, então, eu insisto em me conformar com o solo e aceito os pedregulhos que machucam os meus pés? Por que eu tenho que entender as fendas que me levam a tropeçar e ser convencida de que o meu lugar é aqui, observando no quadrado da janela os saltos ousados dos outros, sozinhos ou em bando, enquanto eu fico de cabeça baixa e tentando ser feliz com um sorriso contido. Não importa se voarei só. Encontrarei muitos no caminho. Se quiser me acompanhar será bem vindo, mas eu não quero enferrujar minhas asas. Não é pra isso que estou aqui. Se tenho asas, é pra voar.

2 comentários:

Arthur V. disse...

Lindo e extremamente sincero.

Janayna disse...

tire os pés do chão.
voe.