15 de ago de 2011

finalmente

Eu queria escrever uma história de amor de verdade com encontros emocionantes, olhares encantados, lembranças, sorrisos, dificuldades, superações, disposição e final feliz. Durante a minha vida inteira, escrevi histórias que vi e que vivi e sempre que elas acabavam na vida real e na literatura, era como se não tivesse sido de verdade. Cada laço desfeito me era triste, como se nunca tivesse existido ou pior, era triste que estivesse desfeito porque quando feito era um belo laço. Eu queria escrever uma história de amor que tivesse o romance dos cortejos do século passado e as loucuras e impetuosidade da minha geração. E o tempo todo eu acompanhava cenas de histórias reais, com pessoas reais que as vezes vivem histórias de amor sem nem saber lidar com o que sentem e só reforçava a minha convição de que eu queria muito escrever uma belíssima história de amor. Talvez ainda não tenha sido muito clara, essas palavras aqui não são a introdução de uma história de amor, porque é viver o que eu gostaria de verdade.
Mas as histórias mais bonitas parecem que acontecem sempre no meio ou após uma desilusão. Eu escrevi algumas histórias de desilusão achando que eram um começo de um enredo amoroso, mas não era. Era apenas eu querendo ser protagonista de uma história que não havia personagem para ser um par, havia uma pessoa, mas que jamais seria um par.
Histórias bonitas de amor precisam de outro alguém. Alguém por quem você conta os dias para encontrar. Alguém em quem você pensa e suspira e ri e chora. Alguém que vai atrás de você porque você é importante. Alguém que não mede palavras nem consequencias, alguém que quer viver essa história de amor porque você despertou nele esse sentimento.
E eu tinha um par e não sabia. Eu tinha um alguém por quem eu poderia sonhar e viver e não apenas projetar. E eu tinha um par que me olhou com outros olhos e que decidiu viver tudo de novo, se entregar de novo, arriscar de novo, tentar de novo, porque era eu. Eu tinha um par e fiquei assustada. Eu poderia ter finalmente aquela história de amor que eu sempre quis, e que eu já nem queria mais por achar que essas coisas bonitas tinham ficado apenas no cinema ou nos cortejos do século passado e de tanto medo de ser ilusão e não amor de verdade, me escondi.
Mas essas coisas passam, como passaram em tantas outras histórias que li, acompanhei, assisti. O medo passou, e o amor, esse sentimento que faz a gente olhar para outra pessoa com tanta gratidão e cuidado e afeto e estima e respeito e admiração e desejo e saudade, chegou finalmente.
E tudo mudou.
Agora, não é como se eu estivesse em um filme com final previsível, com final surpreendente ou com final decepcionante. Agora, não é como um filme. É a minha vida e a tua, uma história de amor... finalmente.

2 comentários:

Luiggi disse...

Por que tu és assim, hein?
Agora sou eu quem diz, tem pra que me deixar mais apaixonado?
Amo você!

Arthur V. disse...

Que lindo :~~~~

"Eu escrevi algumas histórias de desilusão achando que eram um começo de um enredo amoroso, mas não era. Era apenas eu querendo ser protagonista de uma história que não havia personagem para ser um par, havia uma pessoa, mas que jamais seria um par."

Eu estou sem palavras. Isso é apenas tão simples e real que se absorve naturalmente pelo viver. Sabe quando você quer descrever algo e não consegue? Mas a pessoa entendeu, e você olha com um ar de "É,é exatamente isso"?

Pronto. É, é exatamente isso.