23 de mai de 2011

partida

De partida, fica meu coração apertado. Como se tudo me segurasse, como se eu tivesse raíz, como se eu tivesse deixado algo por fazer, incompleto, incerto, como se eu quisesse ir e voltar. Mas eu não quero. De partida, deixo o meu coração aberto. Amarei outras cidades, outros lugares, outras pessoas. Expectativas, experiências, visitas e saudades. Alimento suficiente para quem não pode sobreviver à monotonia, à maresia, à estagnação. De partida, fica meu coração à parte. Como se eu tivesse vindo deixando meu coração no ponto de partida com a promessa de voltar para buscar. E a certeza de que o melhor alimento do momento é a alegria, a verdade e o amor daqueles que vieram comigo, no meu coração.

13 de mai de 2011

ainda quero

Essa quase certeza que é amor ou algo bem perto disso não faz sentido. Sendo bem sincera, você não é o melhor cara pra mim. Ontem fiquei me lembrando das últimas paixões avassaladoras e doloridas que tive, e tentando descobrir como elas passaram. E assim, quem sabe, encontrar pontos comuns e alguma maneira inteligente de simplesmente parar de pensar em você e de te desejar. Li histórias, ouvi músicas, compus um poema e chorei. Achei fotografias, bilhetes, post-its, trechos grifados, textos marcados e anotações em cantos de páginas. Citei nomes, relembrei minhas próprias histórias, parafraseei amigos. Tentei colocar todos os homens que eu achava que tinha amado até hoje, tentando entender qual era a minha lógica para sair de uma paixão dolorosa para um amor tranquilo ou para amor nenhum, qualquer coisa que não doesse, qualquer coisa. E não encontrei lógica alguma. Sendo bem sincera, essa liberdade não é a melhor coisa para mim. Embora voluntária, cheia de racionalidade e de argumentos, todos frágeis diante da imensa vontade de me prender em teus braços, essa liberdade que eu amo e que estou a questionar. Eu sei que você não é o melhor cara, não traz a paz e a segurança que eu espero, é complicado, é inseguro, é volúvel e covarde, nem mesmo me procura, não me corresponde, não me diz o que eu preciso e nem sei se diz o que tem vontade. Escrevendo fica ainda mais difícil entender porque te desejo tanto. Se fosse só atração nas tuas costas largas, no teu belo sorriso e no teu olhar doce, outras pessoas me cativariam com os mesmos e muitos outros atributos. Se fosse obsessão e não sentimento, já seria o tempo de passar, mas não passa. Esse frio na barriga que sempre volta, esses apegos nos menores momentos, essas lembranças recentes de coisas proibidas, de beijos, de desejos, de calores e de sorrisos, essa vontade de mais e esse sonhos persistentes, esse querer que insiste em voltar. E é preciso que você saiba que cansei de viver momentos maravilhosos com outras pessoas, pensando por que não podiam ser com você. E se é preciso e possível concluir, o que eu te diria? Eu quis tanto ser tua, quis tanto ser especial aos teus olhos. Quis tanto te dar carinhos e receber os teus. Quis te ter sem precisar te chamar. Quis que a tua presença fosse algo mais além de desejar. Quis tanto que viesse naturalmente e fiquei quieta esperando e sonhando que os teus braços voluntariamente me puxassem ao teu abraço. E de tanto querer, nada fiz e não tive. Mas tanto querer eu tinha e tudo mais que eu tinha, queria te dar. E ainda quero.

9 de mai de 2011

pedido

Me dê
um beijo e um pedaço do seu coração

Me dê segurança
alguma esperança
algum sinal

Me dê coragem
me dê um tempo
E uma chance de não ir embora
me deixe ir e me diga que tenho pra onde voltar.

Me dê as verdades do seu coração
me dê seu colo
seus abraços e seu carinho
me dê arrepios

Me dê sorrisos
e afagos
confusão e conflitos

Me dê palavras doces
dedos leves
abraços quentes
e olhar derretido

Me dê uma chance
uma música
uma imagem
um pouco de romance

Me dê
um beijo e um pedaço do seu coração

e a sua mão.

1 de mai de 2011

último

Não te escreverei mais nenhum dos meus textos apaixonados idiotas e talvez assim você perceba um dia que não te amei pouco, só te amei diferente.