10 de dez de 2011


Então, pra passar o tempo, fumo e como o chocolate. Talvez devesse apenas comer o chocolate. Mas essa barra aqui me traz lembranças e eu queria esquecer. Talvez devesse beber e esquecer, mas com a bebida não se pode controlar os pensamentos e as lembranças vem e só se esquece quando se pega no sono.  Talvez eu devesse dormir. Queria ter a opção de dormir e não sonhar. Dormir pesado e poder apressar os dias. Mas quando durmo, sonho. E quando sonho, lembro. E eu não gostaria de lembrar. Então, penso que seria melhor se me mantivesse acordada e distraída com outras coisas, leituras, trabalho, filmes, paisagens e outras pessoas. Mas essas distrações estão cheias daquelas lembranças. Talvez fosse bom que alguém me desse um golpe na cabeça e assim eu esqueceria. Mas tudo que sabem é dar golpes no coração e o coração não esquece.

15 de ago de 2011

finalmente

Eu queria escrever uma história de amor de verdade com encontros emocionantes, olhares encantados, lembranças, sorrisos, dificuldades, superações, disposição e final feliz. Durante a minha vida inteira, escrevi histórias que vi e que vivi e sempre que elas acabavam na vida real e na literatura, era como se não tivesse sido de verdade. Cada laço desfeito me era triste, como se nunca tivesse existido ou pior, era triste que estivesse desfeito porque quando feito era um belo laço. Eu queria escrever uma história de amor que tivesse o romance dos cortejos do século passado e as loucuras e impetuosidade da minha geração. E o tempo todo eu acompanhava cenas de histórias reais, com pessoas reais que as vezes vivem histórias de amor sem nem saber lidar com o que sentem e só reforçava a minha convição de que eu queria muito escrever uma belíssima história de amor. Talvez ainda não tenha sido muito clara, essas palavras aqui não são a introdução de uma história de amor, porque é viver o que eu gostaria de verdade.
Mas as histórias mais bonitas parecem que acontecem sempre no meio ou após uma desilusão. Eu escrevi algumas histórias de desilusão achando que eram um começo de um enredo amoroso, mas não era. Era apenas eu querendo ser protagonista de uma história que não havia personagem para ser um par, havia uma pessoa, mas que jamais seria um par.
Histórias bonitas de amor precisam de outro alguém. Alguém por quem você conta os dias para encontrar. Alguém em quem você pensa e suspira e ri e chora. Alguém que vai atrás de você porque você é importante. Alguém que não mede palavras nem consequencias, alguém que quer viver essa história de amor porque você despertou nele esse sentimento.
E eu tinha um par e não sabia. Eu tinha um alguém por quem eu poderia sonhar e viver e não apenas projetar. E eu tinha um par que me olhou com outros olhos e que decidiu viver tudo de novo, se entregar de novo, arriscar de novo, tentar de novo, porque era eu. Eu tinha um par e fiquei assustada. Eu poderia ter finalmente aquela história de amor que eu sempre quis, e que eu já nem queria mais por achar que essas coisas bonitas tinham ficado apenas no cinema ou nos cortejos do século passado e de tanto medo de ser ilusão e não amor de verdade, me escondi.
Mas essas coisas passam, como passaram em tantas outras histórias que li, acompanhei, assisti. O medo passou, e o amor, esse sentimento que faz a gente olhar para outra pessoa com tanta gratidão e cuidado e afeto e estima e respeito e admiração e desejo e saudade, chegou finalmente.
E tudo mudou.
Agora, não é como se eu estivesse em um filme com final previsível, com final surpreendente ou com final decepcionante. Agora, não é como um filme. É a minha vida e a tua, uma história de amor... finalmente.

1 de jun de 2011

menor que três



Eu sempre falei, escrevi e pensei sobre amor, desamor, saudade e distância. Esse blog está cheio dessas coisas e outros mimimis. Mas hoje eu vim contar que de repente alguém desperta seus melhores sentimentos, e que com os dias contados, seus melhores sentimentos se confudem, se anulam, se escondem e depois se soltam. Então vem aquela sensação maluca de que a pessoa é certa, a hora é errada e o que fazer visto que em breve não haverá nem pessoa, nem hora. Então, cada dia contado é dia para ficar ao lado. É a hora certa porque a ampulheta segura os últimos grãos e o tempo passa, só não passa essa alegria presente. Então cada grãozinho que desce é um beijo, um sorriso, uma declaração e andar de mãos dadas. Cada minutinho, os últimos, os melhores, tem surpresas, carinho, dedicação e atenção. Então acaba, e tem lágrimas misturada com sorriso, tem adeus, tem até breve, tem eu te amo. E o sentimento de fim não existe, porque os seus melhores sentimentos ainda estão acordados, centrados, incertos, mas vivos. É a hora certa porque viramos a ampulheta para contar o tempo novamente e ainda que haja saudade, distância e outros mimimis que gostamos, enquanto houver esse sentimento, o melhor de todos os que já vivemos em tão pouco tempo, haverá um coração querendo abraçar e acelerar junto. Então não acabou.

23 de mai de 2011

partida

De partida, fica meu coração apertado. Como se tudo me segurasse, como se eu tivesse raíz, como se eu tivesse deixado algo por fazer, incompleto, incerto, como se eu quisesse ir e voltar. Mas eu não quero. De partida, deixo o meu coração aberto. Amarei outras cidades, outros lugares, outras pessoas. Expectativas, experiências, visitas e saudades. Alimento suficiente para quem não pode sobreviver à monotonia, à maresia, à estagnação. De partida, fica meu coração à parte. Como se eu tivesse vindo deixando meu coração no ponto de partida com a promessa de voltar para buscar. E a certeza de que o melhor alimento do momento é a alegria, a verdade e o amor daqueles que vieram comigo, no meu coração.

13 de mai de 2011

ainda quero

Essa quase certeza que é amor ou algo bem perto disso não faz sentido. Sendo bem sincera, você não é o melhor cara pra mim. Ontem fiquei me lembrando das últimas paixões avassaladoras e doloridas que tive, e tentando descobrir como elas passaram. E assim, quem sabe, encontrar pontos comuns e alguma maneira inteligente de simplesmente parar de pensar em você e de te desejar. Li histórias, ouvi músicas, compus um poema e chorei. Achei fotografias, bilhetes, post-its, trechos grifados, textos marcados e anotações em cantos de páginas. Citei nomes, relembrei minhas próprias histórias, parafraseei amigos. Tentei colocar todos os homens que eu achava que tinha amado até hoje, tentando entender qual era a minha lógica para sair de uma paixão dolorosa para um amor tranquilo ou para amor nenhum, qualquer coisa que não doesse, qualquer coisa. E não encontrei lógica alguma. Sendo bem sincera, essa liberdade não é a melhor coisa para mim. Embora voluntária, cheia de racionalidade e de argumentos, todos frágeis diante da imensa vontade de me prender em teus braços, essa liberdade que eu amo e que estou a questionar. Eu sei que você não é o melhor cara, não traz a paz e a segurança que eu espero, é complicado, é inseguro, é volúvel e covarde, nem mesmo me procura, não me corresponde, não me diz o que eu preciso e nem sei se diz o que tem vontade. Escrevendo fica ainda mais difícil entender porque te desejo tanto. Se fosse só atração nas tuas costas largas, no teu belo sorriso e no teu olhar doce, outras pessoas me cativariam com os mesmos e muitos outros atributos. Se fosse obsessão e não sentimento, já seria o tempo de passar, mas não passa. Esse frio na barriga que sempre volta, esses apegos nos menores momentos, essas lembranças recentes de coisas proibidas, de beijos, de desejos, de calores e de sorrisos, essa vontade de mais e esse sonhos persistentes, esse querer que insiste em voltar. E é preciso que você saiba que cansei de viver momentos maravilhosos com outras pessoas, pensando por que não podiam ser com você. E se é preciso e possível concluir, o que eu te diria? Eu quis tanto ser tua, quis tanto ser especial aos teus olhos. Quis tanto te dar carinhos e receber os teus. Quis te ter sem precisar te chamar. Quis que a tua presença fosse algo mais além de desejar. Quis tanto que viesse naturalmente e fiquei quieta esperando e sonhando que os teus braços voluntariamente me puxassem ao teu abraço. E de tanto querer, nada fiz e não tive. Mas tanto querer eu tinha e tudo mais que eu tinha, queria te dar. E ainda quero.

9 de mai de 2011

pedido

Me dê
um beijo e um pedaço do seu coração

Me dê segurança
alguma esperança
algum sinal

Me dê coragem
me dê um tempo
E uma chance de não ir embora
me deixe ir e me diga que tenho pra onde voltar.

Me dê as verdades do seu coração
me dê seu colo
seus abraços e seu carinho
me dê arrepios

Me dê sorrisos
e afagos
confusão e conflitos

Me dê palavras doces
dedos leves
abraços quentes
e olhar derretido

Me dê uma chance
uma música
uma imagem
um pouco de romance

Me dê
um beijo e um pedaço do seu coração

e a sua mão.

1 de mai de 2011

último

Não te escreverei mais nenhum dos meus textos apaixonados idiotas e talvez assim você perceba um dia que não te amei pouco, só te amei diferente.

15 de abr de 2011

dito popular



O amor é cego
E cego não lê cartas
Cegos lêem em braile
Com mãos e dedos, tato.
Cegos ouvem música, mas não lêem blogs
Cegos não percebem poema escrito
Mas podem ser poetas, apesar
O amor é cego, dito popular

12 de abr de 2011

áries

Não sei se pelo olhar ou pelo beijo ou pelo sorriso ou pela cara de aborrecido ou pelo jeito de mexer nos cabelos ou pela franqueza ou ainda por dançar tão bem. Não sei se pela intrepidez ou pelas histórias da adolescência ou graças ao elemento fogo ou por causa da racionalidade ou pelo charme ou ainda por ficar tão bem de vermelho. Não sei bem, se é a barreira ou a proximidade ou o passado ou o jeito como chama meu nome ou por causa dos sonhos que tenho ou por acreditar em amor à primeira vista ou simplesmente por sentir o meu coração bater forte quando o vejo. Não sei se por ter me tirado do eixo ou por ter me equilibrado ou por ter desfeito meus planos ou por não ser perfeito ou por ser perfeito. Não sei porque mexe comigo, mas o faz como ninguém mais.